AVISO: ESTA É UMA PARTE DO ARTIGO DO ESTUDO DA USP, TRADUZIDA LITERALMENTE, SEM NENHUMA INTENÇÃO DE INDUZIR O LEITOR AO ERRO. OS ÚNICOS PARÁGRAFOS RETIRADOS FORAM AS PARTES TÉCNICAS E GRÁFICOS QUE PODERIAM CONFUNDIR A LEITURA. NO MAIS, A TRADUÇÃO ESTÁ NA ÍNTEGRA COM OS PARÁGRAFOS MAIS IMPORTANTES PARA SABER DO QUE SE TRATA O ESTUDO.

COMPOSIÇÃO ISOTÓPICA DE CARBONO E NITROGÊNIO EM RAÇÕES COMERCIAIS PARA CÃES NO BRASIL

Discussão

A principal conclusão é que a ração para cães no Brasil é composta, em sua maioria, de aproximadamente 60% (variando de 32% a 86%) de produtos à base de animais e 40% (variando de 14% a 67%) de produtos vegetais. Aves e milho são os principais ingredientes. As aves de granja são adicionadas como um subproduto ou refeição, o que evita a competição entre cães e seres humanos por produtos de carne, enquanto eles podem competir pelo milho. Por outro lado, uma grande proporção de produtos à base de plantas na alimentação canina diminui a energia e a pegada ambiental, uma vez que os produtos alimentares à base de plantas tendem a ser menos prejudiciais em comparação com os produtos à base de animais. Os rótulos podem enganar os consumidores, mostrando fotos de itens que não são necessariamente parte da composição do produto e não mostrando as informações detalhadas sobre a proporção de cada ingrediente. Essas informações permitiriam que os clientes fizessem suas próprias escolhas, considerando a nutrição de seus animais, a competição entre animais e seres humanos por recursos e sustentabilidade ambiental.

 

No entanto, há uma falta de informação sobre as principais fontes de proteína, carboidratos e gordura fornecidos nos rótulos dos alimentos para cães. Tais informações são necessárias para manter a indústria de alimentos para animais de estimação sustentável (Swanson et al., 2013; Okin, 2017). Os produtores podem alegar legalmente que seus produtos contêm certos itens como salmão ou carne, mesmo que usem apenas um composto aromatizante. Quando tais “reclamações” são acompanhadas de representações gráficas nos rótulos como uma foto da carne bovina em cubos, uma “imagem meramente ilustrativa” deve ser mencionada (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET), 2017). Além disso, os rótulos dos alimentos para animais costumam listar mais de 40 itens sem mencionar a quantidade deles (Thompson, 2008). A maioria dos rótulos menciona que os ingredientes são listados em ordem decrescente de acordo com sua importância e quantidade (ABINPET, 2015), mas não especificando os valores exatos. Portanto, os consumidores podem ser enganados por esses rótulos e publicidade, comprando algo que eles realmente não queriam.

 

Material e métodos

Foram analisadas 61 amostras de ração seca e 21 amostras de ração úmida. Todas as amostras foram compradas em pet shops em Piracicaba, no Estado de São Paulo, Brasil. As amostras foram produzidas por 17 e 8 produtores de alimentos secos e úmidos, respectivamente. Cada uma dessas empresas tem várias linhas diferentes de alimentos para animais com diferentes pesos e raças e, portanto, eles produzem centenas de tipos de alimentos para animais de estimação.

 

Foi demonstrado, usando análise de isótopos estáveis, que aproximadamente 60% (variando de 32% a 86%) do conteúdo de ração disponível no Brasil tem origem animal e 40% (variando de 14% a 67%) de origem vegetal, o que está de acordo com outros estudos que chegaram à mesma conclusão, mas usando outras técnicas (Murray et al., 1999; Weber, Biourge & Nguyen, 2017). Esse achado tem várias implicações. Em primeiro lugar, leva ao debate em curso sobre hábitos alimentares de cães. Por razões óbvias, a indústria de ração animal afirma que os cães são onívoros (Hill's Pet Nutrition, 2018), enquanto os consumidores preocupados afirmam que os cães são carnívoros (Dog Food Advisor, 2018). Não há dúvida de que os cães foram domesticados a partir de lobos (Savolainen et al., 2002; Lindblad-Toh et al., 2005). Os lobos são carnívoros e os cães, como seus descendentes, herdaram vários aspectos da anatomia do lobo que os identificam como carnívoros. No entanto, descobertas recentes mostraram que os ancestrais dos cães modernos adquiriram a capacidade de digerir o amido para lidar com o advento da agricultura pelos seres humanos (Axelsson et al., 2013; Bazolli et al., 2015; Weber, Biourge & Nguyen, 2017). . Portanto, os cães são carnívoros capazes de digerir plantas e, embora seja aceito que a dieta pode afetar a incidência de doenças em cães (Valenzuela et al., 2013), os efeitos a longo prazo da ingestão de alimentos com altas proporções de plantas são desconhecidos.

 

Entre os ingredientes de origem animal, a ave era de longe o maior componente de ração produzida no Brasil. A maioria dos rótulos inclui aves como ingrediente, não como carne, mas como farinha ou subproduto, mesmo em embalagens que mostrem a imagem de um saboroso pedaço de frango. O fato de que a maior parte da comida de cachorro no Brasil é feita de subprodutos é benéfico, evitando a competição direta entre humanos e cães pelos recursos alimentares (Okin, 2017). No entanto, como nos EUA, há uma tendência no Brasil de comercializar alimentos premium para cães, que é parte do processo de humanização de animais de estimação (Swanson et al., 2013). De acordo com Kumcu & Woolverton (2010), este tipo de alimento não é apenas projetado considerando a saúde do cão, mas também para vincular os cães aos atributos humanos, como o controle de peso e o uso de ingredientes de grau humano. Se esta tendência persistir, dependendo da qualidade dos ingredientes, a competição entre humanos e cães por recursos alimentares se intensificará (Okin, 2017).

 

Nesse sentido, o uso pesado de produtos vegetais como a farinha de milho pela indústria de alimentos para animais de estimação posiciona os cães em franca competição com os seres humanos por comida.

 

Conclusão

Ingredientes com origem animal e vegetal constituem aproximadamente 60% (variando de 32% a 86%) e 40% (variando de 14% a 67%) de ração no Brasil, respectivamente. Aves e milho são os principais ingredientes. Aves domésticas são adicionadas como subprodutos ou farelos, evitando a competição por comida entre cães e humanos, enquanto eles podem competir pelo milho. Por outro lado, a grande proporção de ingredientes com origem vegetal diminui a energia e a pegada ambiental do alimento para cães, uma vez que são menos prejudiciais em comparação com os ingredientes de origem animal. Os rótulos podem enganar os consumidores, mostrando fotos de itens que não são necessariamente parte da composição do produto e não mostrando as informações detalhadas sobre a proporção de cada ingrediente. Isso permitiria que os clientes fizessem suas próprias escolhas avaliando as necessidades nutricionais de seus animais, a competição entre animais e humanos e a sustentabilidade ambiental.

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